quinta-feira, 21 de novembro de 2013

REVELAÇÕES DE JÚLIA REBECA

 JÚLIA REBECA
"Gostava de sexo, era ela que filmava e publicava os vídeos" 

Posted by Fabiana Bertotti on 19 de novembro de 2013 in comportamento |



     Ela gostava da Miley Cyrus e falava palavrão com facilidade. Gostava de sexo e não escondia isto de ninguém. Ela brigava com a mãe e também se sentia infeliz com frequência. É o que eu sei da Júlia Rebeca e você também pode saber, lendo seus tuítes. Foi por lá, inclusive, que ela avisou que iria se matar, que poria fim ao sofrimento e pediu desculpas à mãe.

    A grande mídia creditou seu suicídio – com o fio da chapinha – à exposição que seu vídeo teve. Sim, ela gravou um vídeo fazendo sexo com um ex-namorado e uma amiga. Ela mesma filmou, a amiga tentou se esquivar, mas não conseguiu bem. Ela mesma anunciou no Twitter que tinha um vídeo quente e foi ela, a vítima, quem espalhou seu vídeo de sexo.

    Fiquei curiosa com suas relações e fui lendo os perfis de amigos com quem ela conversava frequentemente no TT e uma delas, a @bibixxx_ era parceira de festas e comentou de vídeos. Num dos post chegou a ironizar que não era o vídeo que a faria tirar a própria vida, pois ela mesma era quem tinha divulgado. Olhei mais um pouco e notei uma adolescente sem qualquer amor próprio, o que justificaria uma vida sem valor ao próprio corpo. Comentando no dia anterior a morte do ciúmes que sentia de alguém, Júlia enfatizou:

“Eu que não mereço ninguém pra falar a verdade.
Me odeio, sou um lixo mesmo. Flw
Eu me odeio tanto, tanto, tanto…
Tanto sentimento misturado que não consigo colocar no lugar…
Não boto mais fé em mim”

    Em outra madrugada reclamava de quatro amigos que tinham marcado para fazer sexo e não a convidaram. Outro ainda comentava de filmes como o que ela tinha feito, dando a entender que era comum se filmarem em relações íntimas. Uma das amigas, a @Lumalu_ reclamou após a morte da reportagem que seria exibida no Fantástico:

“Como se ela tivesse se suicidado por conta do video. Sendo q sabemos q n foi isso! E q esse video só se espalhou +. ela tinha depressão.”

    A garota então condena a reportagem que vai atribuir o suicídio ao vídeo, mas como todas as amigas sabem, este não foi o motivo. Fala da moral da família que ficará achincalhada por conta da exposição do vídeo e arremata com uma amiga:

“Como todo o Brasil vai pensar dps disso. Sem ao menos saber q ela se suicidou p livrar da tristeza da dor de uma depressão??”

    Ela teclava com @larabatata e no seu perfil encontrei uma conversa interessante, horas antes da morte. Era a Julia perguntando da igreja da Lara que a convidara para ver um vídeo cristão e ir à igreja. Júlia dizia que tinha vontade de voltar, que chegava a ir em cultos, mas que não conseguia se entregar a Deus como antes. A amiga apela e depois, ao saber da morte, lamenta por não ter falado mais, insistido.

    Não sei o que se passava com a Julia de fato, das angústias de uma menina de 17 anos que vivia triste, revoltada, que fazia sexo com vários parceiros e filmava isto para mostrar depois. Que queria voltar para a igreja, mas não tinha forças, que talvez tenha tido os estímulos errados e preferido companhia pouco edificante. O que me chamou a atenção nesta história foi a junção de tantos fatos que são mais corriqueiros do que a minha realidade faz parecer. Outro dia um amigo disse que não vivo no mundo real, que muitos jovens cristãos estão no culto de manhã depois de uma noite de álcool e práticas impublicáveis. Atormenta-me, porém, é pensar que muitos zumbis espirituais e emocionais estão por aí, sorrindo e mostrando um lado lascivo para esconder uma alma doente, sofredora e ao julgarmos seus sorrisos plásticos, suas palavras frívolas ou sua vida sexual intensa e descompromissada, deixamos passar alguém que precisa de carinho, apoio menos tapas e talvez um dedo apontando um outro caminho de paz.

    Sempre condenei meninas que se deixam filmar por namorados e amigos numa transa qualquer. Sempre achei que estes meninos são idiotas por divulgar e um bando de maricas ao precisar espalhar a intimidade para se sentir mais “homens”, mas hoje, depois da Júlia, olho diferente para estas garotas que antes só me pareciam vagabundas. Não são. Muitas estão desesperadas por atenção
     Dão o corpo querendo carinho, cuidado, se mostram fatais, mas querem colo como crianças. 

    Não gosto de sentir pena dos outros, mas senti da Julia Rebeca e muitas outras Julias que circulam por aí na internet.